sexta-feira, 18 de maio de 2012

Delírios


A tua pele mista tencionei tocar,
Os teus cabelos brancos e em forma de cachos contemplei,
Aquele cheiro de flor invadia minhas narinas.

Tu tomaras três goles de um líquido que mais parecia um doce licor oriundo dos deuses do Olimpo,
lugar de onde vieras.
Deusa mais que amável, eras delicadamente pura
Despertara-me aos fascínios do submundo do prazer.
Já o amor não sei se em ti habitas e não me importo.

Sonhei por dois longos milésimos de segundos afogar-me em teu lago
Lago este nem doce, nem salgado
Límpido e mágico que perturbara minhas noites,
Impedindo-me de entregar-me aos braços de Morfeu  para sonhar belamente com o teu singelo sorriso
Aquela sutil agressão verbal na lascívia de meus tórridos lábios,
envolvendo tua fragilidade em meus braços.

Os teus passos me faziam viajar
e na penumbra da madrugada voava alto
além mar, mergulhando nas tuas profundezas intangíveis.
Escravo do teu jeito angelicalmente demoníaco que me prendia com um olhar visceral.

Eis-me aqui para o teu doce delírio
Livre de rótulos
Sem temer as artimanhas de tuas poções
Aberto aos teus encantos
E puramente teu...
Pronto para ir além das explorações corporais meramente humanas.





sexta-feira, 4 de maio de 2012


Estavam todos preocupados com o resultado, indignados com a falta de comunicação, mas ninguém pôs a cara a tapa, não se moveu uma palha. Por mais de um segundo a utopia deixou de tomar conta de mim. O que imperava era o individualismo. Do outro lado da esquina um morador de rua, na mesa ao lado um grupo de seis pessoas, três mulheres e três homens, entre cervejas e outras bebidas os pensamentos divergiam e vagavam pelo submundo desconhecido de quem está fora daquela mente, seja ele qual fose: oragnizar o dia seguinte,  cuidar da gripe, o romance que vai de mal a pior, as falhas no trabalho, os poucos acertos que são quase imperceptiveis aos olhos dos outros, a chuva que não passa, o pé que dói, a esposa desgostosa e reclamona que o espera em casa, a secretária que acedia o chefe, o carteiro que não passa, o bebe que só chora, o telefone que não para tocar, uma infinidade de situações e coisas, canseira total... Enquanto um deles assoava o nariz, os outros o ignoravam, duas mulheres bem próximas conversavam algo sem fundamento, um cara zapiava o telefone, um outro coçava a barba e um terceiro atendia o celular, outra mulher mexia nos cabelos e não parava de falar, nenhum deles sequer notou que  havia um cão sentado a espreita de uma migalha, assim como o morador de rua do outro lado (esperançoso por uma resto de alimento que lhe saciasse a fome). O locutor observava os dispostos atentamente analisando nas palavras alheias a verdade ignorada. Num sistema de sistemas é você quem tem que mudar.

domingo, 15 de abril de 2012

Cera e dorso

Lágrimas de cera
de noite chega
na solidão a sussurrar
na minha cabeça... de cera

O poeta a falar
que assim imaginou: "nas nuvens do céu o belo rosto de sua amada
tatoado nas costas de um marinheiro"
Que então o dorso passou a admirar.

E sua bela imagem
de mulher
no dorso malhado
a inspirar...
e suspirou
Transpirando fremente de tesão
enquanto seus corpos suados se uniam.



Autoria coletiva: BARSOLI, Felipe; CARVALHO, Raphael; JUNGER, Victor; MATTOS, Josiane; MAYRINK, Claudia; SEIXAS, Michele.

Colaboração: PLÁSTICO, Flor
Especialmente para: DESCOVI, Patrícia.