A gente acha que o tempo passa rápido
E passa mesmo
Mas ele congela dentro da gente
E feito iceberg corta as vísceras
Aos pouco dilacera o coração
Prende-nos no sentimento de possessão
e nas expectativas que envenenam a vida.
Um arcanjo
desses que não tem muito o que fazer
acerta uma flecha no coração errado
na hora errada
no tempo errado
e tudo lhe parece certo
E arrisca-se
com intensidade suprime-se em prol da paixão
De forma inusitada os sentimentos destroem o senso crítico
O Ser deixa de ser seu, para ser plenamente do outro
Quando se percebe a não reciprocidade uma tristeza mortal toma-lhe os pensamentos
E enxerga que toda dedicação fôra em vão
Por vezes os amores
E muitas vezes as Paixões constituem seres amargos
Entre perdas e danos
escadas cujos degraus apenas fazem descer
Os sentidos ficam mórbidos
Os amores de papel crepom se dissolvem na chuva.
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