A festa é verde
Os rostos são encantadoramente jovens
As roupas foram exclusivamente escolhidas para estar ali
Até que ponto pertenço a essa festa?
Tonto, não de alcóol, mas de questões
às quais somente eu posso respondê-las ou melhor, parar de indagar e observar os dispostos
Não banco o santinho...nem vou tentar ser crítico.
Todas as bebidas,
vinhos semi azedos
Estilos,
estilos os mais diversificados, sempre,
os corpos expostos em roupas que nada mais fazem senão oferecer o conteúdo ainda escondido.
O cara de patins, um outro de skate,
meninos que se abraçam,
Moças que se olham timidamente.
Tudo se mistura nos arcos
o morador de rua é o anfitrião.
Será que já não faço mais parte desse universo de coisas ou passei da época de compartilhar?
Um pouco mais de lapa.
São tantos os rostos sorridentes,
pernas e pés agitados
Um homem de cara pintada,
Nos cabelos spray cor de prata
O som que se ouve é o vermelho.
Todos os seres são encantadores
Aqueles inúmeros pares de pés a sambar,
deixando-se levar pelos batuques, a cuíca, o pandeiro
e os tambores que fazem mover não só os corpos, mas os corações.
E as mulatas quanta beleza,
tão deslumbrantes,
Alucinando todos a sua volta
com sorrisos,
aquela pele naturalmente morena,
os cabelos longos e encaracolados caindo por sobre suas costas
dava mais feminilidade ao teu requebrado.
Não posso descrever a sensação que aquele apito me causava,
e o levantar e arrastar de teus pequeninos pés morena de vestido florido.
Todas as palmas chamavam para a descoberta da alegria do carnaval fora de época,
do viver sentindo a diferença do ficar e de estar constantemente alegre,
com ou sem dinheiro,
do jeito mais carioca de ser
ainda que desajeitado
e tão alucinado, às vezes embreagado,
sendo sincero, amando, curtinho, seguindo a banda pela rua,
atravessando os arcos,
cantando e encantando o Rio maravilha mesmo quando chove.
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