terça-feira, 10 de abril de 2012

A mesa ao lado.

    Braços entrelaçados num abraço firme e boca no ouvido, observei noutra mesa, entre 8 garrafas de cervejas e dois copos bem servidos. Sorrisos sem graça, ela queria se entregar. Acertou os óculos e pôs-se a ajeitar os cabelos, uma das mãos apoiava-se no queixo com o braço por sobre a mesa, enquanto a outra acariciava o braço dele.
    Noutra posição os olhos se cruzaram num sorriso amarelo e acanhado enquanto ele falava e mexia com os dedos no rosto dela. Um abraço terno e sensual interrompe as palavras e num bejio longo ela se rende aos encantos dele. Ao término do beijo os olhos se encontram silenciosamente atentos às reações, agora é ela quem fala enquanto ele fingindo-se muito atento pôs a mão direita no queixo para dar mais ênfase, mas no fundo admirava os lábios dela, perdendo-se neles com veemencia... um gole na cerveja que estava no copo sobre a mesa de ardósia daquele bar (que mais parecia o ninho de amor e lascívia de ambos) e ele desperta.
    Risos e mais risos aparentemente apaixonantes, as mãos entrelaçaram-se enquanto os assuntos prosseguiam meio sem sentido para ambos. Ele de gola polo cor de rosa salmão, ela de branco com uma pequena flor na lapela e uma calça jeans que fazia mensão em fugir daquele corpo. Gestos e mais gestos se repetiam, o semblante dele cada vez mais romantico (aparentemente), o que poderia estar gritando pelas curvas dela. As feições dela denotavam a mais intensa paixão por todo aquele conjunto idealizado na pessoa dele. Ela enfim se levanta, supostamente para ir ao banheiro e interrompe minhas sagazes observações.

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