segunda-feira, 2 de março de 2015

Um estranho quase amor

Leia-me devagar,
soletrando cada palavra,
virando as páginas delicadamente
e no palato me desgaste como fosse o seu prato predileto.

Leia-me vagarosamente
faça marcações se e quando necessário for,
mas não  me deixe sozinho sob olhos estranhos.

Dedilhe as folhas delicadamente
como fosse mais que um objeto,
faça como se realmente se importasse.

De vez em quando, sem exageros, me procure
E retirando a poeira da solidão faça-me sua companhia
Olhe fixamente em "meus olhos" para ver o reflexo do que se pode achar que é o amor - você.

Leia-me como se fosse a sua última visão de mundo
Leve-me para viajar em sua imaginação ao ler as descrições em mim,
Coloque-me na bolsa ou mochila e pelos bares, esquinas, baladas, ônibus serei o companheiro mais silencioso que poderia vir a existir.

Releia-me para os que ama, assim me sentirei amado por eles.
Rasgue-me com toda intensidade do seu gélido olhar buscando novidades quando não há.
Pouco me importa se me deixas no escuro, acenda a luz da imaginação

Somente lhe peço que apenas não me deixe sozinho entre idiomas estranhos, com os quais não poderia dialogar.

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