sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A garota sem nome



Ela era um personagem tremendamente mal formulado
Cujas referências não passavam de discursos rasos
Era volúvel, porém apaixonante.
Tinha potencial para ser mais do que se apresentava,
porém recusava-se a ouvir o outro
Nenhuma leitura era aprofundada, inclusive as questões levantadas não eram respondidas,
mas estava sempre as fazendo.
Fazia ceninha e mantinha-se sempre na defensiva
mal se sabia, mas abria espaço para saber do outro de modo superficial
Assim como queria que fosse consigo, sem envolvimento emocional.
Trazia apontamentos quase novos e ao ser questionado não se aprofunda, 
e fugia, mudava de assunto
Era como um personagem, mas não se sabia 
volátil, volúvel, incansável, não se deixava ler...
Era como se o personagem inventado por vós não tivesse corpo, nem face
E face ao entendimento geral era apenas uma distração divertida
quase palpável, altamente exótico e o mais (havia um mais) se escondia.
Seria por medo de mostrar-se
Medo de ser invadido 
De permitir-se apaixonar-se por apenas um 
Medo de ficar 
De permanecer num só lugar, ao qual julgava sem novidade
embora tivesse muitas histórias. 
Medo do medo de ser apenas uma personificação ambulante de algo que ela engana-se o tempo todo, mas acredita
e que ainda não tem nome.
Era apenas uma garota que esqueceu de amadurecer e cresceu apenas fisicamente
sem nem notar que o tempo em anos havia passado 
e distanciado-se dos seres humanos incríveis que tentaram ama-la em sua totalidade, ora confusa, ora intrigante, ora sem sentido, ora apaixonante.
Era uma garota que não se amava (ou não sabia fazê-lo)
Uma garota que reinventou-se personagem para afastar o outro sem ferir mas o fazia sem perceber.
Uma garota sem nome nem significado.

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