quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Faíscas poéticas sobre nós ou não

Era quinta e estava quente,
ela segurava uma cerveja
necessitava se refrescar
estávamos numa manifestação política pró democracia
e eu cheguei atrasada
mal sabia que este dia se tornaria o nosso primeiro encontro.

Seu rosto estava levemente maquiado
mas eu não notei
estava estasiada com sua voz
o seu jeito.

Algo nela me tocou inesperadamente
fiquei sem jeito,
me aproximei e pedi um beijo
respondeu-me tocando os meus lábios com os dela
e foi mágico.

Fomos ao cinema
ela não usou nenhum tipo de maquiagem
estava certa que o enredo do filme a faria chorar,
enganou-se.

Ela é o tipo que se esconde
não chora
não fala sobre o que sente
já eu tagarela
choro enlouquecidamente por tudo que me toca.

O sorriso
o olhar
o abraço
o afagos em meus cabelos
as conversas
quase tudo nela me tocava
delicadamente
a sua seriedade me desconsertava.

A falta do abraço
do beijo demorado
do seu braço pesando sobre a minha cintura durante o sono
do sorriso
de como ela prestava atenção enquanto eu tagarelava
saudades dos longos áudios
da voz
dos olhos dela
saudades da ilusão que era achar que ela também me amava
mas não era.

Acabou
ela deu sinais o tempo inteiro
pensando serem coisas da minha cabeça
tola ignorei
agora a barriga parece vazia
mas o coração repleto de gratidão
já não sofre
o tempo me refaz.

Espero que ela também fique bem!




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