quando me tornei obsoleto
quantas voltas a Terra deu em torno do Sol
quanto tempo mais até perceber a minha verdadeira missão
quem define
quem decide?
e se acaso eu jamais souber?
e se não há missão alguma pra ninguém
e se tudo que buscamos inexiste?
não passa de mais uma criação do sistema pra se manter girando
e se nem mesmo as palavras escritas aqui fizerem sentido?
como saber se a vida faz algum sentido
sentido é sentir
ou saber
ou fingir que...
não tenho certeza de absolutamente nada
nem mesmo se um dia amei alguém além de mim mesmo
será mesmo que eu amo este alguém que sou
que tenho sido
que venho me tornando
sem entorno
sem contorno?
contar segredos
situações misteriosas
sugerir possibilidades
o choramingar do cão interrompe minha escrita
o raciocínio
a emoção.
não sou capaz de mergulhar fundo em mim mesmo
que dirá num relacionamento monogâmico
centrado
com fins de constituir uma vida a dois / a duas
me perdi tentando encontrar a saída
ou será que racionalizo em demasia
pra esconder de mim o que sinto
o que quero?
a vida não é poesia
e jamais será só sobre amar
o amor é a invenção MAIS ARDILOSA que jamais tive a chance de conhecer
estou perdido nessa terra de ninguém
perdido de mim
mas os sorrisos
as dancinhas
os olhares salientes
dizem o oposto
que eu sou super de boas e que tá tudo bem
mas não está... eu acho.
continua, talvez.
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