Sem mais delongas quero lhe falar nesta tarde de quinta coisas de primeira categoria.
Sem reparar me peguei pensando em você, menina inventada.
Os gestos, os gostos, seu rosto... esse teu requebrar.
A intensidade com que ama e deixa-se amar
Sem luxúria, nem usura
Detonas minhas tardes
Fico a elocubrar por onde andas.
Menina faceira de olhar sedutor
Há muito não ouço tua voz,
Há tanto não trocamos boas palavras pelo computador,
Há tempos não a vejo, esqueci-me de suas feições
Ou teriam sido alucinações as noites que passamos juntos?
Ensandecido
Enlouquecido
Estremecido
E arrebatado está meu pequeno coração.
Levei-te as nuvens e nelas também me satisfiz
há tempos não trocamos olhares... que nem sei como eram
Há tempos não sinto o teu cheiro ...
Já não sei a que flor parece.
Há tempos nao toco sua pele ... e, não recordo que testura tens
Há tempos não a beijo... não lembro mais do teu gosto.
Tudo que vejo remete a você, menina invendata
O céu ao entardecer
As noites tempestuosas.
O meu quarto, o chão da cozinha, a sala... ah, a sala
Na boca permanece um gosto azedo, de solidão
Minha pele ainda exala desejo, paixão
Foram tantas paixões usurpadas
Ilusões destroçadas
Alguras e luxúrias em vão
Ainda me pergunto se eras o meu refúgio ou meu terror?
Pergunto-me se eras tu uma verdade inventada e mal sucedida?
Uma mulher sonhada que nunca teria existido?
Um ser imagético?
Algo de dentro de mim que eclodiu com a solidão?
Uma figura amiga que aos poucos amante se tornou?
Uma amante amiga que aos poucos me deixou?
Espelhos quebrados
Violinos sem corda
Vicicitudes usuais
Ela nunca existira,
Mas era o refúgio de um Poeta destinado a casar-se com as palavras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário