domingo, 11 de setembro de 2011

Desapego



Hoje não estou pra palavras
sem parábolas
sem sonetos
sem cantatas
Não quero palavras
as faladas
as escritas
as cantadas
as em forma de cone
de bonde
de partida
nem de chegada
sem imagem
sem madrugada
Não quero valsas vienenses
permanecer parada
sem movimento
sem dança
nem a valsa do Minuto
nem sua saia rodada
nem um lápis à mão
nem uma estrada à frente
Hoje encontro-me sem palavras
e ainda assim elas insistem em me seguir
a passos trôpegos
a passos largos estranhamente envoltos n'algo sem nome
sem passado
sem pleitear o futuro
sou presente
teu presente
mesmo que ausente daquilo que deixou de ser
num dia chuvoso
num canto qualquer de um cômodo comum
da casa vizinha
vazia por dentro
sorrindo por fora.

Um comentário:

  1. Que isso minha gente? Escreve mais, pelo amor de Deus!!! Maravilhosos versos. Quem é você? Se tens Face Book, por favor me add??? Vou linkar teu blog e te seguir! Um grande abraço! Mereces mais.

    ResponderExcluir