sábado, 17 de dezembro de 2011

Impressões de uma tarde de segunda.

      
         Uma boa demonstração de paciência, equilíbrio e certa serenidade, são total observância às atitudes ao redor. Hoje aprendi uma lição, que esperar analisando as opções que se tem ou não à frente, é acima de tudo sinal de sabedoria. O agir impulsivamente, bem sabemos, que não passa de uma jogada arriscada e um indicio de completa ignorância.
      Sentada num banco de praça, aguardando um amigo chegar, olhando os passantes e também era notada por uns e outros nem tanto, cada qual ia ou vinha de um lugar em direção às suas casas, escolas ou trabalho, não importava. Uma invasão de imagens, quadros em movimento penetravam por minhas retinas e inundavam meu cérebro. Paisagens açoitavam-me enquanto os sons da rua tentavam interpelar minhas nada intencionais interpretações dos passantes. Ao mesmo tempo meninos corriam de um lado a outro na tentativa de um pique pega figurando sua energia, juvenilmente me deparei sorrindo com uma tenaz lembrança dos meus tempos de menina, sempre a correr no fim da tarde, antes do derradeiro chamado para o banho e jantar, por uma voz que era um misto de autoridade, doçura e cuidado, quando de repente um grito de dor de um menino me despertou da infância, ele havia caído e assustado foi acudido pela irmã que segurando sua mão o ajudou a atravessar a rua e numa questão de segundos sumiram de meu ângulo de visão. A essa hora um formigamento já tinha tomado conta de minhas pernas cruzadas em forma de borboleta sob o banco de cimento, coloquei-as para baixo a fim de aliviá-las, voltei a sentir o sangue correr pelos vasos e veias, era uma esplendida sensação, estiquei os braços e alonguei-os junto a coluna e bocejei de olhos fechados, quando os abri o semáforo marcava vermelho, olhei para a frente e vi que uma menininha de dentro de um ônibus me observava e gargalhava, senti-me como um pequeno animal fazendo graça através de uma ‘jaula’, não me sabia do lado de dentro ou de fora, neste momento o semáforo marcou verde e os carros andaram e eu perdi  a imagem real e submergi noutras questões. Pouco depois meu amigo chegou e com ele a minha vez de partir, atravessando a rua em sua direção.

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