quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O espelho reflete um desconhecido rosto
Os pés pisam neste chão como se fosse a primeira vez
Canções são repetidas, mas não se percebe seu significado
Ela não respondeu aos meus torpedos
Não me responsabilizo pela ausência do meu Eu
Insignificantes palavras
Infinitas sugestões
Olhares insinuantes
Aquela paixão ardeu nos lábios e foi-se embora
Sem deixar marcas ou lembranças
Sou um desconhecido observando a mim mesmo
Os dois lados da cama que me deito estão vazios
A mão que insinuava um toque mais firme sente apenas o nada
O narrador é um apático vigilante
O observado é um desconhecido de si
O amante se desfez em pó de pedra
A mesma que marcou o caminho
A saída,
A partida,
A despedida,
A expectativa de se reconhecer
O viajante, teu ex amante
Perdido nas linhas do tempo
Nas asas do vento,
Derretido em salgadas lágrimas
Derrotado pelo mal
O mal humano
O bem que fraquejou
O oposto do Não
O negativo Sim
O silêncio das bocas que não mais se beijarão
Do encontro que nunca poderá acontecer
Das tardes nubladas
Das manhãs chuvosas
Das noites sem luar
Dessa terra nebulosa e frívola.

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