terça-feira, 31 de julho de 2012

Sob a égide do esquecimento

Abstrato, abismado, sismado, inanimado...
Seria ele filho de alguma terra
ou de terra alguma?
Nascera da argila
em meio à figueiras recequidas
num sertão poético de Deus dará...

As tuas lamurias se fazem nítidas
o som é terrivelmente assustador
tem-se os pés ainda fincados neste chão
chão de terra batida
pisada e amassada por inúmeros pés
pés de retirantes cansados...
de fome, da seca ... cheios de esperança

Esperança nascida a léguas de distância
sentidos guiados por ela
Noites passadas em claro
n'amplidão do sertão.

Poesia era o que o garoto feito de barro mais sentia
teus versos eram ingênuos,
teu canto sereno
tua alma vadia, embora fosse um anjo.

Anjo desconexo
torto por fora
cansado por dentro
Desconectado e poeticamente desconhecido
dessa terra madrasta, mãe cruel.



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