Estavam todos preocupados com o resultado, indignados com a falta de comunicação, mas ninguém pôs a cara a tapa, não se moveu uma palha. Por mais de um segundo a utopia deixou de tomar conta de mim. O que imperava era o individualismo. Do outro lado da esquina um morador de rua, na mesa ao lado um grupo de seis pessoas, três mulheres e três homens, entre cervejas e outras bebidas os pensamentos divergiam e vagavam pelo submundo desconhecido de quem está fora daquela mente, seja ele qual fose: oragnizar o dia seguinte, cuidar da gripe, o romance que vai de mal a pior, as falhas no trabalho, os poucos acertos que são quase imperceptiveis aos olhos dos outros, a chuva que não passa, o pé que dói, a esposa desgostosa e reclamona que o espera em casa, a secretária que acedia o chefe, o carteiro que não passa, o bebe que só chora, o telefone que não para tocar, uma infinidade de situações e coisas, canseira total... Enquanto um deles assoava o nariz, os outros o ignoravam, duas mulheres bem próximas conversavam algo sem fundamento, um cara zapiava o telefone, um outro coçava a barba e um terceiro atendia o celular, outra mulher mexia nos cabelos e não parava de falar, nenhum deles sequer notou que havia um cão sentado a espreita de uma migalha, assim como o morador de rua do outro lado (esperançoso por uma resto de alimento que lhe saciasse a fome). O locutor observava os dispostos atentamente analisando nas palavras alheias a verdade ignorada. Num sistema de sistemas é você quem tem que mudar.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Cera e dorso
Lágrimas de cera
de noite chega
na solidão a sussurrar
na minha cabeça... de cera
O poeta a falar
que assim imaginou: "nas nuvens do céu o belo rosto de sua amada
tatoado nas costas de um marinheiro"
Que então o dorso passou a admirar.
E sua bela imagem
de mulher
no dorso malhado
a inspirar...
e suspirou
Transpirando fremente de tesão
enquanto seus corpos suados se uniam.
Autoria coletiva: BARSOLI, Felipe; CARVALHO, Raphael; JUNGER, Victor; MATTOS, Josiane; MAYRINK, Claudia; SEIXAS, Michele.
Colaboração: PLÁSTICO, Flor
Especialmente para: DESCOVI, Patrícia.
de noite chega
na solidão a sussurrar
na minha cabeça... de cera
O poeta a falar
que assim imaginou: "nas nuvens do céu o belo rosto de sua amada
tatoado nas costas de um marinheiro"
Que então o dorso passou a admirar.
E sua bela imagem
de mulher
no dorso malhado
a inspirar...
e suspirou
Transpirando fremente de tesão
enquanto seus corpos suados se uniam.
Autoria coletiva: BARSOLI, Felipe; CARVALHO, Raphael; JUNGER, Victor; MATTOS, Josiane; MAYRINK, Claudia; SEIXAS, Michele.
Colaboração: PLÁSTICO, Flor
Especialmente para: DESCOVI, Patrícia.
terça-feira, 10 de abril de 2012
A mesa ao lado.
Braços entrelaçados num abraço firme e boca no ouvido, observei noutra mesa, entre 8 garrafas de cervejas e dois copos bem servidos. Sorrisos sem graça, ela queria se entregar. Acertou os óculos e pôs-se a ajeitar os cabelos, uma das mãos apoiava-se no queixo com o braço por sobre a mesa, enquanto a outra acariciava o braço dele.
Noutra posição os olhos se cruzaram num sorriso amarelo e acanhado enquanto ele falava e mexia com os dedos no rosto dela. Um abraço terno e sensual interrompe as palavras e num bejio longo ela se rende aos encantos dele. Ao término do beijo os olhos se encontram silenciosamente atentos às reações, agora é ela quem fala enquanto ele fingindo-se muito atento pôs a mão direita no queixo para dar mais ênfase, mas no fundo admirava os lábios dela, perdendo-se neles com veemencia... um gole na cerveja que estava no copo sobre a mesa de ardósia daquele bar (que mais parecia o ninho de amor e lascívia de ambos) e ele desperta.
Risos e mais risos aparentemente apaixonantes, as mãos entrelaçaram-se enquanto os assuntos prosseguiam meio sem sentido para ambos. Ele de gola polo cor de rosa salmão, ela de branco com uma pequena flor na lapela e uma calça jeans que fazia mensão em fugir daquele corpo. Gestos e mais gestos se repetiam, o semblante dele cada vez mais romantico (aparentemente), o que poderia estar gritando pelas curvas dela. As feições dela denotavam a mais intensa paixão por todo aquele conjunto idealizado na pessoa dele. Ela enfim se levanta, supostamente para ir ao banheiro e interrompe minhas sagazes observações.
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