sexta-feira, 4 de maio de 2012


Estavam todos preocupados com o resultado, indignados com a falta de comunicação, mas ninguém pôs a cara a tapa, não se moveu uma palha. Por mais de um segundo a utopia deixou de tomar conta de mim. O que imperava era o individualismo. Do outro lado da esquina um morador de rua, na mesa ao lado um grupo de seis pessoas, três mulheres e três homens, entre cervejas e outras bebidas os pensamentos divergiam e vagavam pelo submundo desconhecido de quem está fora daquela mente, seja ele qual fose: oragnizar o dia seguinte,  cuidar da gripe, o romance que vai de mal a pior, as falhas no trabalho, os poucos acertos que são quase imperceptiveis aos olhos dos outros, a chuva que não passa, o pé que dói, a esposa desgostosa e reclamona que o espera em casa, a secretária que acedia o chefe, o carteiro que não passa, o bebe que só chora, o telefone que não para tocar, uma infinidade de situações e coisas, canseira total... Enquanto um deles assoava o nariz, os outros o ignoravam, duas mulheres bem próximas conversavam algo sem fundamento, um cara zapiava o telefone, um outro coçava a barba e um terceiro atendia o celular, outra mulher mexia nos cabelos e não parava de falar, nenhum deles sequer notou que  havia um cão sentado a espreita de uma migalha, assim como o morador de rua do outro lado (esperançoso por uma resto de alimento que lhe saciasse a fome). O locutor observava os dispostos atentamente analisando nas palavras alheias a verdade ignorada. Num sistema de sistemas é você quem tem que mudar.

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