quarta-feira, 20 de abril de 2011

Estrela cadente

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   Certa vez ouvi dizer que apenas flores que desabrocham num dia de verão vivem até uma semana sem murchar.  Quão doce me pareceu aquela mentira. Na época era um menino ingênuo e acreditava no que os adultos diziam, sempre que percebia algo novo questionava-me, mas não obtinha muitas respostas. Numa noite nublada contei ao meu avô que havia sonhado com pequeninas estrelas, aquelas que são cadentes. O vô disse-me que não era um bom sinal aquele sonho e fez-se um imenso silêncio entre nós, olhamo-nos profundamente nos olhos, percebi que os dele se perdiam dentro dos meus. Pensei com meus botões que teria sido melhor se não tivesse comentado nada, mas logo meu devaneio findou-se quando de repente ele me falou sorrindo que nem tudo que sonhamos quando estamos dormindo deve ser levado em consideração, neste exato momento o abracei e senti uma lágrima cair no meu ombro. O céu estava nublado, não havia estrelas a vista. Novamente o silêncio se fez entre nós, até que o nosso cão latiu e o vô levantou-se indo em sua direção. Hoje ao ouvir minha esposa dizer "EU TE AMO" entendo a razão de todo aquele silêncio, naquela época meu pai já não estava entre nós e o vô quase nunca falava dele. Quando vejo meu menino brincando   faceiro e esperto, fazendo tanta "arte" compreendo a dor que ele sentia por ter perdido seu filho tão jovem, eu era menino demais para alcançar aquela dor e vivia sonhando com estrelas cadentes. Minha mãe contou-me que numa noite de luar ela e o vô me viram ajoelhado perto do balanço no quintal e quando se aproximaram ouviram o meu pedido, que era para uma estrela cadente. Não lembrava do fato, mas ela me falou sorrindo e com lágrimas nos olhos, que eu pedi a estrela para trazer o pai de volta. Está era a razão do silêncio e do olhar perdido do vô quando contei do sonho com uma estrela cadente, porque na realidade não havia sido um sonho.

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