segunda-feira, 25 de abril de 2011

Observações

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Teto branco
Chão num piso acinzentado
Paredes revestidas de tijolinhos
Mesas molhadas com cerveja.

Sorrisos, bocas
Música, conversas, bebidas
Copos sempre cheios.

Cigarros, fumaça
Paqueras, dança
ciumes, tênue luz
roupas, gestos, sabores
fome, vermelho e amarelo.

Perto e longe do que se pode chamar de paraíso
Pés que batem no chão ao som do rock
Ela se encanta facilmente
quase se sufoca com palavras que não pode soltar.

Paredes manchadas
bermudas, saias, calças
vestidos... tudo chama sua atenção
Todos os cheiros, os gostos
a musicalidade, os rostos, beijos e abraços.

Debaixo da escada
Cheiro de tinha
corpos que bailam
Corpos malhados.

À porta do  banheiro
Sob luz artificial
paredes verdes e portas vermelhas
Tudo sucinta sexo.

Espelhos, rostos que se admiram
Meninos que parecem encantadores de outros
Meninas que não percebem nada além de si.

Apalpes, afagos
Teias de aranha
Portas que abrem e fecham
Mãos que se lavam.

Pista cheia, gente santa, gente insana
Nada mais vale se não dançar, divertir-se
Este é o lugar.

Ela cansa
Precisa de papel e caneta
e tudo explode
de dentro para fora e fora para dentro
Até esvaziar-se quase completamente
sobrando mais espaço para outras informações.

O corpo não se mexe mais como antes
O cérebro pede mais atenção
e implora por um lugar mais tranquilo
Na solidão de um quarto
E não se sente mais tão vazia como antes.

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