O chão estava coberto do que pareciam ser pétalas, a garotinha que bincava perto dali assustou-se ao ver que eram asas. Ela era tão pequenina que não conseguia entender tamanha afronta à natureza, mas também era muito curiosa e foi correndo chamar sua mãe, avó, tia e todas as outras, contudo, nenhuma delas lhe deu ouvidos e a menininha voltou para o quintal, chegando lá se deparou com as folhas das árvores caídas no chão e ficou surpresa, já que as asas haviam desaparecido. A pobre menininha olhou para cima e percebeu que as asas estavam no lugar das folhas e novamente correu à chamar as mulheres mais velhas, como de costume nenhuma delas lhe deu ouvidos. Voltou ao quintal cabisbaixa e sem entender porque ninguém acreditava e ainda sem querer, quase que tentando descobrir sozinha aquele mistério, ela olhou para o chão e não havia nada, virou-se para as árvores e também não estavam lá, sem saber o que fazer, fechou os olhos e pensou que tudo aquilo era um sonho e logo acordaria, passados alguns segundos ela sentiu cheiro de terra molhada, era a chuva começando a cair no solo, neste instante seus olhos se abriram e vislumbraram o desabrochar das flores nas árvores que estavam no seu devido lugar. Desta vez ela não sentiu vontade de compartilhar com ninguém, pois percebera que era para guardar segredo. Um segredo entre ela, as árvores e todas as borboletas.
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