
Na imagem construida de si, algumas vezes, busca-se atingir a perfeição, o equílibrio inexistente. Com plena consciência do outro perde-se no inconsciente da própria essência. Sem saber para onde ir, quase atônito pelo reflexo turvo da imagem criada, ele cai na mesmice senão cairá em si e acordará, despedaçando os desejos e afligindo seu peito como uma flexa envenenada que atinge em cheio o coração. Sua frivolidade é assustadora. Sua tenacidade provocadora. Onde andará aquele que certo dia pensou em mudar as coisas de dentro para fora? O que fizera todo este tempo?
As máscaras foram derrubadas e ele não é mais o mesmo, embora continue escondido na imagem criada. O fluxo da vida segue um caminho tortuoso, no qual ele persegue uma linha que lhe parece reta. Seus olhos vislumbram as coisas mais belas criadas pela natureza e pelo ser humano. Um homem desnudo cruza-lhe o olhar, ele disfarça, finje não notar quão egocêntrico aquele homem demonstrou-se. Não percebe que aquele era o seu verdadeiro reflexo, fundido à ferro e fogo, pintado e escarnecido à bronze em uma praça pública. O homem não cruzara seu caminho ele sempre esteve a sua frente e mesmo depois de sua morte ainda sobrevive em suas entranhas por mais que ele negue sua existencia.
Uma apreciação fidedigna de mãos que destilam afagos e agressões. Corpos suntuosos que se despedaçam e olhos que ignoram a verdade. Mas que verdade seria essa? As bocas não calam, elas falam o que o cérebro está cheio, neurônios se conectam para revelar segredos. Descama-se por sobre a pele a cópia fiel de uma imagem construida para destruir seu criador.
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