quinta-feira, 19 de maio de 2011

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    Hoje quero disfarçar o tédio, elevar-me. As cartas de amores passados não servem mais, necessito alma nova e nada ao redor me apetece. Não sinto frio, calor, fome ou dor. Meus olhos já não se inebriam como antes, estou envelhecendo junto a este sofá. Não sinto sede, temor, saudades nem tesão. Algo de normal (aquilo que é abaixo do "padrão") me acometera e não consigo identificar. O relógio insiste em marcar o tempo mesmo estando sem pilhas, não o alimento mais, assim como não tenho alimentado o cão e o meu organismo. Este organismo que tenta fugir da estrutura corpórea que ainda me sustenta. O lado sentimental do meu SER já não me reconhece.

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