segunda-feira, 30 de maio de 2011
O mesmo do outro que não sabia de si
Continuava o mesmo
Com os mesmos trejeitos,
o mesmo gosto,
o mesmo cheiro.
Em seu rosto nada mudara
as expressões, as ações
P' um espirro deseja Saúde.
Máquina polaroide que registra os momentos felizes
Tudo silenciava
Uma risada sonoramente contagiante interrompera o silêncio.
Dormir e sonhar (nem sempre)
Acordar e viver (seu pavor)
bala entregue à boca
lábios que se calam
Toda comédia tem seu lugar ou não.
Palavras que se repetem
Risos incansáveis
Casamentos que findam (em tempo de não se matarem silenciosamente)
Noiva que foge n'um cavalo alado
Flores artificiais
São teus aqueles sinais
Revoga-se ao que um dia fôra.
Palmas virados umas às outras, aplausos
Rosa, preto e verde
Dentes sempre a se mostrar, mas não sorria
Um piso que chama a bailar e ela dança mentalmente.
O canto de um rouchinol
Uma tosse insistente o interrompera
Um ninho sem filhotes
O mesmo do outro - nada raro
O mesmo em si - discurso raso.
Era o mesmo de tempos passados
Mesmo depois que as luzes se apagavam
Até quando ganhava um afago
Era assim, naturalmente racional, nada sensível, mas afável.
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